Fica cada vez mais claro para quem acompanha e, principalmente, para quem financia a dívida pública que o patamar da Selic de 2% ao ano está virando uma peça de ficção. O mercado não tem mais aceitado o valor baixo da taxa básica de juros e cobrado ágio para financiar o governo. Isso obriga o governo a vender títulos cada vez mais curto para fazer valer o poder de decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). E, mesmo assim, fazer o mercado aceitar essa taxa é quase impossível. O recado é claro: ou o governo aceita o preço imposto pelos bancos, ou não conseguirá se refinanciar. Ou seja, o risca de explodir o custo da dívida aumentou.

O Tesouro Nacional realizou uma série de leilões na manhã desta quinta-feira, 12. Vendeu títulos atrelados à Selic e outros pré-fixados. Pois bem, neste último, o mercado já cobra mais de 3% ao ano para título com menos de 1 ano para vencer — e o Tesouro vendeu 19 bilhões de reais desses títulos hoje — e mais de 6% ao ano para títulos com pouco mais de 3 anos de vencimento. Ou seja, a cada ano adicional de prazo, o custo de rolagem da dívida salta em 50%.

Porém, o que assusta mesmo os analistas é o quanto as LFTs, o chamado Tesouro Selic, tem custado ao governo. Para os quase 3,5 bilhões de reais que foram rolados com títulos que vencerão no início de 2022, o ágio foi de 0,13% ao ano — algo impensável para um título pós-fixado tão curto há um ano atrás. Para os com vencimento em 2017, esse ágio foi de 0,36% ao ano. É preciso entender que, normalmente, o ágio sobre esses títulos são extremamente baixos, pois eles são pós-fixados e servem, principalmente, como reserva de valor. Pouco se ganha, nem se perde com eles. Mas desde setembro, os ágios têm disparado. Por exemplo: em janeiro, o ágio para uma LFT com duração de 6 anos era de 0,017% ao ano.

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