O presidente dos Estados Unidos Donald Trump está com as atenções tão voltadas para as ações judiciais que tentam anular o resultado das eleições americanas, que elegeram o democrata Joe Biden, que talvez tenha esquecido de tentar banir o TikTok, algo que havia determinado anteriormente.

Nesta quinta-feira 12 acaba o prazo para a rede social, que pertence aos chineses do ByteDance, vender seus ativos a uma empresa americana, sob pena de ser banida segundo um decreto emitido por Trump em agosto. A empresa chinesa não vendeu os ativos, mas encontrou dois novos sócios de peso: a Oracle e o Walmart. Entretanto, o governo americano simplesmente não disse nada oficialmente sobre a operação e, às vésperas do prazo de banimento, a situação segue indefinida. O TikTok, então, resolveu ir à Justiça pedir uma revisão das ações do Comitê de Investimento Estrangeiro dos Estados Unidos (CFIUS) sob administração de Trump.

A empresa alega que, desde que apresentou a operação com a Oracle e Walmart, há dois meses, não recebeu nenhuma resposta substancial sobre o assunto. Trump chegou a dizer que dava sua bênção para o negócio, mas não passou de uma declaração. Há algumas semanas, o TikTok pediu então uma prorrogação ao comitê de 30 dias para evitar o banimento em 12 de novembro. Novamente, silêncio. Então agora a empresa decidiu entrar na Justiça.

A proposta do TikTok era a de criar uma nova empresa chamada TikTok Global, com sede nos Estados Unidos e que usaria a tecnologia Oracle para evitar os problemas de segurança alegados por Trump. O presidente americano acusou o TikTok de ser um instrumento do Partido Comunista Chinês para espionar os americanos e roubar dados. Por este motivo, exigiu a venda da empresa nos Estados Unidos. No negócio fechado com a Oracle, os chineses da ByteDance continuariam como sócios principais, o que foi visto como um potencial problema para a aprovação do acordo, mesmo deixando a Oracle responsável pela tecnologia dos dados. A rede social é usada por 100 milhões de americanos e vale registrar que a ByteDance tem investidores americanos em seu capital, como o fundo General Atlantic, que tem sede em Nova York.

Apesar de a data final para o banimento se aproximar, o TikTok está relativamente protegido por causa de uma liminar que impede que o governo americano torne efetivo o banimento em um processo promovido por usuários da rede. O Departamento de Comércio americano chegou a comunicar que cumpriria a liminar, mas ao mesmo tempo disse que defenderia veementemente o decreto de Trump.

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