Que o mercado financeiro não tem gostado muito da condução da política monetária do Banco Central já é sabido. Agora, escolheram um alvo específico: Fabio Kanczuk, diretor de política econômica. Ele é o número 2 de Roberto Campos Neto, o presidente do BC. Contudo, apesar da importância do cargo, vem influenciando o mercado com declarações que os agentes financeiros gostariam de ouvir apenas por meio de comunicados oficiais.

Na sexta-feira 6, em evento do Itaú, afirmou que o BC poderá fazer uma forte intervenção no fim do ano para impedir que o dólar suba. A declaração arrepiou os operadores de crédito em corretoras e gestoras da Faria Lima e do Leblon. Para piorar, entrou em cena no mesmo evento o ministro da Economia, Paulo Guedes, dizendo que com o dólar a 5,50 reais se torna incompatível o tamanho das reservas internacionais. O mercado entendeu como algo articulado entre Ministério da Economia e Banco Central — algo bem longe das boas práticas monetárias e incompatível com um posicionamento a favor da independência do BC.

“Foi um desastre”, disse um gestor ao Radar Econômico. Nesta segunda, 9, ainda repercutem as declarações e as explicações dadas pelo BC para apaziguar os ânimos. Contudo, o estrago está feito. Teorias conspiratórias estão surgindo para tentar explicar o motivo da declaração de Kanczuk e respingando na condução de Roberto Campos. A cabeça do diretor está a prêmio.

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