Nunca foi boa a relação entre a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e do vice-presidente Hamilton Mourão com os colegas da chamada ala ideológica do governo. A vitória do democrata Joe Biden nos Estados Unidos reforça a campanha da dupla pela retirada de dois nomes fortes da área radical do governo: Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, e Ernesto Araújo, do Itamaraty.

A avaliação de membros do Executivo é de que Araújo e Salles “balançam”, mas a consolidação da queda se basearia em dois fatores primordiais. O primeiro, se, como membros da gestão de Donald Trump, os americanos “atenderiam ao telefone” quando o chanceler discasse e como se dariam, nos primeiros meses, as conversas com o novo ocupante da Casa Branca. Dentro do governo, avalia-se que a única vitória de Araújo à frente do Itamaraty envolve as relações, mesmo que torpes, com os Estados Unidos e o acordo de livre comércio com a União Europeia, que começa a fazer água. Sem as duas coisas, não haveria motivo para a manutenção do chanceler.

Um fator determinante seria a postura do presidente Jair Bolsonaro. No caso de Salles, a grande incógnita no Palácio do Planalto envolve a assimilação do presidente em relação à gestão Biden e a quem o presidente seria fiel: aos técnicos ou membros da ala mais radical do governo. Dependendo da postura de Bolsonaro, o ministro do Meio Ambiente terá a permanência na pasta avaliada. Isso porque Biden já se comprometeu a fazer marcação cerrada nas políticas ambientais mundo afora — e o Brasil, em chamas, está no olho do furacão.

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