O modelo de pecuária sustentável intensificada usado pela empresa PECSA (Pecuária Sustentável da Amazônia em Mato Grosso) é capaz de produzir carne emitindo quase oito vezes menos gases de efeito estufa do que a pecuária convencional realizada em pastagens degradadas. Esse é um dos principais resultados de um estudo do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).

De acordo com a pesquisa, se o modelo sustentável for aplicado em escala até 2025 no estado do Mato Grosso, poderá evitar a emissão de 92 milhões de toneladas de CO2. O volume representa quase 20% do total anual de emissões da agropecuária brasileira.

“O mundo se pergunta como é possível produzir alimento e reduzir as emissões ao mesmo tempo. A resposta, no caso da pecuária na Amazônia, está na adoção de boas práticas. São poucos setores nos quais ganhos de eficiência podem gerar benefícios tão significativos” , destaca o diretor de governança e investimento da PECSA, Laurent Micol.

O sistema consiste em reformar pastagens degradadas e implantar um padrão com alta produtividade e sustentável, baseado em boas práticas agropecuárias, como o manejo rotacionado das pastagens e a suplementação nutricional.

Na prática, o modelo aumenta a eficiência do sistema, permitindo encurtar o ciclo de produção em um terço e, ao mesmo tempo, reduzir a emissão de gás metano em quase 40%. Além disso, promove a recomposição do estoque de matéria orgânica no solo da pastagem reformada. Com isso, consegue-se uma redução no balanço total das emissões de gases por quilo de carne produzida que chega a 88%.

O coordenador de projetos do Imaflora e responsável pelo estudo, Ciniro Costa Júnior, ressalta o pioneirismo da análise. “Diferentemente de outros estudos que avaliaram as emissões da pecuária de forma genérica, esse é o primeiro que faz uma comparação direta entre dois sistemas utilizando todos os parâmetros que são aplicados a partir das diretrizes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), e assim, demonstra em detalhes os efeitos das novas práticas na redução das emissões”, explica.

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