A Europa enfrenta um aumento nos novos casos de infectados pelo novo coronavírus, com um número de mortes mais alto desde abril. Com receio de atingir a capacidade máxima dos hospitais, diversos países decretaram novas restrições sociais. Além de controlar o número de pacientes nas unidades de terapia intensiva, para onde vão os pacientes em estado grave, os novos isolamentos sociais são uma tentativa de salvar o Natal, festa importante para impulsionar as vendas do varejo.

A expectativa é que, com o fechamento no mês de novembro, os comércios possam ser reabertos no começo de dezembro, quando a população vai às compras em busca de presentes e da preparação das ceias de final de ano. Na semana passada, a chanceler alemã de Angela Merkel escreveu que o objetivo da quarentena, ainda que mais branda, é frear as contaminações agora para que “na época do Natal nenhuma restrição ampla sobre contatos pessoais e atividades econômicas seja necessária”. Já em um discurso à população, o presidente da França, Emmanuel Macron, disse esperar que a população possa celebrar o Natal e os feriados de fim de ano com as famílias.

Diversos países europeus já estão com restrições de abertura dos estabelecimentos comerciais e de aglomerações. Ao mesmo tempo, a população e os pequenos empresários protestam contra as medidas, com receio dos impactos negativos nas vendas em um ano extremamente difícil para sua sobrevivência financeira. Na capital espanhola, por exemplo, centenas de pessoas protestaram no domingo contra a obrigatoriedade do uso de máscaras e o toque de recolher noturno. O país saiu de bloqueio em junho mas voltou a impor regras de isolamento em vigor a partir de sexta-feira, 30. Já na França, os comerciantes considerados não essenciais se revoltam contra o funcionamento de sites de venda online, como a Amazon, e de grandes lojas, acusando-os de concorrência injusta.

Apesar de serem defendidos para o controle da pandemia, os lockdowns já se mostraram extremamente nocivos para a economia dos países, porque impactam diretamente o consumo da população. Sem sair de casa, as pessoas consomem menos bens e serviços, o que paralisa a economia e contribui para o desemprego. Exemplo disso é o PIB da Europa no terceiro trimestre. Nos meses em que houve a reabertura da economia, de julho a setembro, ele cresceu 12,7% em relação ao trimestre anterior. No ano, no entanto, somando os meses em que houve o isolamento social, a queda é de 4,3%. O índice PMI de manufatura da Zona do Euro, feito pela IHS Markit e que mede a temperatura da indústria, também mostra essa ligação. De março a junho, ele ficou abaixo de 50, o que indica retração na atividade industrial. A partir de julho, porém, com a reabertura, ele ultrapassou essa barreira e, em outubro, foi para 54,8, recorde dos últimos 27 meses.

Além de a retomada das atividades econômicas ter sido importante para esse resultado, os incentivos fiscais dados pelos bancos centrais foram fundamentais. “As políticas econômicas foram colocadas de forma a combater a crise e teve impactos relevantes, mas vamos entrar em um período mais desafiador em relação à recuperação da economia”, diz Victor Beyruti, analista da Guide Investimentos. “Até por conta disso, o Banco Central Europeu deu uma sinalização de que podemos ver novos estímulos nas próximas reuniões, como um aumento nas compras de títulos.” Na primeira leva de incentivos, o Banco Central Europeu (BCE) anunciou a compra de 500 bilhões de euros em títulos, no Programa de Compras de Emergência na Pandemia (PEPP, na sigla em inglês). Depois, eles foram estendidos para 700 bilhões de euros e agora estão em 1,35 trilhão de euros. Os economistas estimam que esse número aumentará para além do prazo da operação, de junho de 2021 para o final do ano que vem.

 

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