A médica oncologista e imunologista Nise Yamaguchi afirmou nesta terça-feira, 27, em entrevista ao programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, que a aprovação emergencial de uma vacina contra a Covid-19 pode ser perigosa devido ao curto período de testes. Segundo ela, seria necessário um acompanhamento maior do que existe atualmente, principalmente para que efeitos colaterais tardios possam ser avaliados. “As vacinas estão sendo testadas há pouquíssimos meses, os efeitos imediatos estão bem descritos, mas é necessário tempo para que os efeitos colaterais tardios sejam mais estruturados. O imunizante precisa ser avaliado em relação à eficácia, não podemos liberar na emergência e depois se demonstrar isso ou aquilo”, afirmou. Atualmente, quatro vacinas no Brasil já foram autorizadas para desenvolvimento pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): a CoronaVac, a de Oxford, a da Pfizer + BioNTech, e a da Johnson & Johnson, sendo que as duas primeiras já estão em processo de análise final pelo mesmo órgão.

De acordo com Nise, é preciso cuidar da segurança dos pacientes, principalmente aqueles do grupo de risco, como idosos e portadores de doenças crônicas, que “não poderão se submeter a uma vacina que ainda não tem todo o tempo de evolução”. Ela lembrou que os testes até o momento estão sendo feitos em pessoas jovens e saudáveis. “Deveríamos esperar os testes em populações vulneráveis. Crianças também não poderiam ser vacinadas, porque nenhuma criança foi testada pra essa vacina ainda”, disse. A médica afirmou, ainda, que hoje há diversos tratamentos para as fases precoces, intermediárias, e até mesmo para os pacientes que estão internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). “Cada fase tem a sua devida atenção, e descobrimos que a Covid-19 não é tão mortal como se imaginava”, finalizou.

Confira a entrevista com a Dra Nise Yamaguchi: