Ao menos dois importantes bancos levaram ao secretário do Tesouro, Bruno Funchal e ao ministro da Economia, Paulo Guedes, a preocupação deles com a sustentabilidade de curto prazo da dívida brasileira. Eles alertaram para a ausência de recursos nos bancos para financiar os mais de 600 bilhões de reais que o governo precisará rolar de dívida nos próximos 12 meses.

O montante, apesar de colossal, não seria um problema em um ano normal. Mas como o Tesouro colocou no mercado, recentemente, muita dívida com vencimento curto para conseguir se financiar durante a pandemia, muitos banqueiros acabaram queimando caixa para aproveitar o momento de títulos curtos e com bom retorno. Ano que vem, eles alertam, não terão tanto caixa assim para financiar o governo na taxa que ele quiser. Ou seja, ficará bem mais caro. Atualmente o governo já tem dificuldade de colocar na rua títulos com menos do que 6% de juros anuais — mesmo com a Selic valendo 2% ao ano. Esses banqueiros disseram que isso pode disparar ano que vem, para 8% ou 10%.

A alternativa levada para Funchal e Guedes é que o governo se financie no exterior. Sim, dívida externa — apesar da conotação negativa e os pesadelos que isso possa gerar em economistas mais antigos. A lógica dos banqueiros é que o real se valorizará no ano que vem, o montante não precisaria ultrapassar 50 bilhões de dólares para rolar mais de 40% desse dívida vincenda, e mostraria para o mercado que o governo tem poder de fogo para manter o custo da dívida baixo. A pegadinha: isso deveria estar sendo feito agora, porque no próximo ano, todos os emergentes vão recorrer a bancos estrangeiros para se financiar e o Brasil, com sua nota de crédito pífia, pode ficar sem.

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