Doria disse que a vacinação contra Covid-19 vai ser obrigatória. Bolsonaro disse que não vai ser. Os dois estão errados: a verdade é que é cedo demais para ter essa discussão:

1) A vacina não está disponível, ninguém sabe quando estará, nem quanto tempo demorará para ser produzida no volume necessário e distribuída para milhares de municípios.

2) A população brasileira não é refratária à vacinação (o índice de vacinação para outras doenças vem caindo, mas isso demonstra mais a ineficácia dos governos no que se refere às campanhas de vacinação do que outra coisa).

3) Pesquisas indicam que mais da metade da população quer tomar a vacina contra a Covid-19 — antes mesmo que tenha sido feita qualquer campanha de vacinação.

4) Não está claro qual o percentual da população teria que ser vacinado para se alcançar a imunidade.

É improvável que a obrigatoriedade seja necessária, e antecipar essa discussão serve apenas para inflamar a polarização, render votos para um lado ou para o outro, e atrapalhar a campanha de vacinação quando for a hora.

Vir a público defender uma eventual obrigatoriedade que pode ser desnecessária é um erro que tende a atrapalhar a política de saúde que se vier a perseguir no futuro.

Mas vir a público combater, de forma liminar, uma obrigatoriedade que pode se mostrar necessária é um erro que vai atrapalhar a política de saúde que se vier a perseguir no futuro, seja ela qual for.

Além disso, estimular a população a ficar contra a vacina é uma vergonha e uma irresponsabilidade.

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