Faltando apenas 18 dias para as eleições presidenciais dos Estados Unidos, a vantagem de Joe Biden sobre Donald Trump é de 11 pontos percentuais, de acordo com uma pesquisa eleitoral publicada por WSJ/NBC na última quinta-feira, 15. Somada à tamanha vantagem, aproximadamente 17 milhões de eleitores já enviaram seus votos pelos correios, uma prerrogativa que muitos americanos utilizam para evitar a contaminação pelo novo coronavírus. Essa dinâmica favorece ainda mais a candidatura de Biden, mas é sempre preciso lembrar que a conta final que vale é a do número de delegados por estado. Em 2016, Hillary Clinton venceu em votos absolutos, mas perdeu na divisão por estados. Ainda assim, a própria gestão da pandemia de coronavírus joga a favor do candidato democrata. O mais recente capítulo dessa história envolve o poderoso bilionário australiano Rupert Murdoch, dono da rede de notícias Fox News, considerada uma aliada do presidente. Em mensagens enviadas a associados — segundo o site americano The Daily Beast –, ele teria dito estar enojado com a forma como Trump lida com a pandemia e que o maior inimigo do presidente americano é si mesmo.

Apesar da proximidade com a Casa Branca, a relação entre Trump e Murdoch sempre foi cercada de conflitos. O presidente já acusou a Fox News de realizar cobertura negativa sobre si, causando a ira do proprietário do canal de notícias, que teria chegado a cogitar apoiar um candidato democrata nas primárias do partido, o também empresário Michael Bloomberg. Em 2015, Murdoch disse no Twitter que Trump “envergonha o país inteiro”. Pessoas próximas a eles afirmam que os dois não se falam há semanas, justamente após duras críticas de Trump à Fox News. Agora, o australiano estaria convicto de que Biden levará a melhor nas eleições do próximo dia 3, e que a população dos EUA já estaria preparado para um governo “sonolento” do democrata, ainda que negue tais afirmações publicamente.

Se, por um lado a cobertura televisiva incomoda Trump, o mesmo não se pode dizer sobre o New York Post, o tabloide comandado por Rupert Murdoch. Na última quarta-feira, 14, a reportagem da primeira página atacou o candidato democrata com a divulgação de supostos e-mails encontrados num computador deixado em uma assistência técnica no estado de Delawere — onde a família do candidato reside — que comprovariam que Hunter Biden, filho de Joe, teria apresentado um executivo ucraniano ao então vice-presidente dos EUA com o objetivo de interferir nas eleições de 2016. Uma série de inconsistências na reportagem, como a divulgação dos supostos e-mails em forma de imagem, impedindo a análise de metadados e as respostas dúbias do dono da loja onde o computador foi encontrado, que num primeiro momento disse ter procurado o Departamento Federal de Investigação (FBI, sigla em inglês) para relatar o caso e depois afirmou que os investigadores foram até ele, fizeram redes como Facebook e Twitter bloquearem a divulgação da reportagem do New York Post, sob a alegação de que o material continha elementos suficientes que evidenciavam desinformação e uma possível violação de privacidade.

Em editorial publicado logo em seguida, o próprio jornal alegou que o Facebook “entrou no campo pró-Biden”, e que a imagem da companhia liderada por Mark Zuckerberg como uma rede social neutra acabou. A conta oficial da campanha de Trump foi suspensa após o compartilhamento de um vídeo sobre a reportagem do New York Post. O próprio presidente afirmou que “isso tudo vai acabar em um grande processo, e há coisas que podem acontecer que são muito graves e que preferiria que não acontecessem, mas provavelmente vão acontecer”, concluiu. Na tarde desta sexta-feira, 16, o presidente executivo do Twitter, Jack Dorsey, voltou atrás ao dizer que “bloquear o compartilhamento dos links por tweet ou mensagem, com zero contexto sobre os motivos do bloqueio, era inaceitável”. A rede não irá mais remover conteúdos oriundos de material hackeado, apenas se eles tiverem sido publicados pelos próprios hackers. O Twitter somente utilizará a já existente ferramenta de “publicações duvidosas”, que já fora usada para alertar os usuários sobre tweets potencialmente enganosos de Trump.

 

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