O presidente Donald Trump, de 74 anos, e o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de 77, se enfrentam na noite desta terça-feira 29,  no primeiro dos três debates entre postulantes à Casa Branca. Transmitido da Case Western Reserve University, em Cleveland, no Estado americano de Ohio, e mediado pelo jornalista Chris Wallace, da Fox News, o encontro traz seis tópicos para serem discutidos, sendo reservado 15 minutos para cada. Entre eles estão posições políticas, Suprema Corte, covid-19, economia, raça e violência nas cidades e integridade nas eleições.

Suprema Corte

Primeiro tema a ser discutido, a substituição da magistrada progressista Ruth Bader Ginsburg foi arduamente defendida por Trump. No último sábado 19, Trump indicou a juíza conservadora Amy Coney Barret, mesmo estando a apenas um mês da eleição.

Segundo Trump, a indicação é direito seu, já que foi o vencedor do último pleito, em 2016. Trump afirmou ainda que os democratas teriam acelerado ainda mais a indicação caso estivessem ocupando a Casa Branca.

Já Joe Biden afirma que a pressa de Trump é explicada por seu ímpeto em levar demandas conservadoras ao judiciário. Entre as metas estaria derrubar o Obamacare, uma cobertura de saúde criada pelo ex-presidente Barack Obama. Na sequência, os dois travam uma discussão sobre como lidar com o sistema de saúde dos Estados Unidos.

“Não importa quão bem você gerencie o Obamacare, ele é desastroso”, disparou o presidente. “Ele não tem nenhuma estratégia sobre o que fazer. Ele não tem um plano. Ele não sabe o que ele está falando”,  rebateu Biden. 

Coronavírus

Biden aproveitou o tema para atacar a postura de Trump frente à pandemia. “Você deveria sair do seu campo de golfe e enfrentar a realidade”, afirmou. Em seguida, afirmou que Trump deixou o país “em estado de pânico”, e que o vírus se espalhava enquanto o presidente esperava, sem traçar um plano de ação. 

O presidente, por sua vez, rebate: “Os governadores disseram que eu fiz um trabalho fenomenal.” Biden, então, relembra que Trump sugeriu aos americanos que injetassem detergente em seus corpos para se proteger da doença. “Eu fui sarcástico”, respondeu Trump.

Neste tema, porém, Trump tropeça, sem conseguir explicar qual foi sua política pública frente ao avanço da doença. Biden afirma que o presidente desdenhou da ciência, e responsabiliza sua gestão pela enorme crise econômica que os americanos enfrentam. Trump, então, garantiu que a vacina será distribuída “muito em breve” graças aos seus esforços.

“Olhe para os divórcios, olhe para o alcoolismo, e esse cara ainda quer manter o país fechado?”, disse Trump, acusando Biden de ser um radical pró-quarentena. “Os americanos querem as escolas abertas, restaurantes funcionando. Vejam o que está acontecendo em Nova York. É triste”, afirmou. 

A recuperação da economia

Trump afirma que sua estratégia mais relaxada quanto ao isolamento social levará os Estados Unidos a uma recuperação econômica em “V”, isto é, uma recessão abrupta seguida por rápido crescimento. Segundo Trump, os estados governados por democratas, que adotaram medidas mais rígidas, vão sofrer mais.

Biden, por sua vez, disse que os ricos se deram bem durante a pandemia, acumulando milhões de dólares. Já os trabalhadores, sobretudo os que estão na linha de frente, continuaram com o custo de vida elevado e lidaram com a insegurança no emprego.

Trump aproveitou o tema para ressuscitar as acusações que pesam contra o filho de Joe Biden, Hunter. Segundo Trump, Biden e sua família embolsaram 3,5 milhões de dólares de Moscou por negócios escusos no setor de energia na Ucrânia. Biden, em resposta, afirmou que “não precisa ouvir esse tipo de coisa desse palhaço”. O apresentador, então, pediu compostura aos dois, e solicitou que Trump interrompesse menos o debate. 

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O imposto de renda de Trump

O debate, então, entra no tema mais quente da última semana: as declarações de imposto de renda de Donald Trump. De acordo com revelações feitas pelo jornal The New York Times, Trump pagou apenas 750 dólares de imposto entre 2016 e 2017. E em 10 dos últimos 15 anos, não pagou nenhum centavo.

“Eu paguei milhões e milhões de dólares”, rebateu Trump. Ele, no entanto, não quis especificar quanto.  Segundo Trump, os mecanismos de isenção de impostos foram formulados, sobretudo, pelo ex-presidente Barack Obama, a quem definiu como o pior presidente que os Estados Unidos já teve.

Raça e violência nas cidades

Biden começou o bloco sugerindo que Trump endossa grupos de extrema direita, como os supremacistas brancos que marcharam em Charlottesville, em 2017. Em seguida, afirma que Trump incita a divisão dos Estados Unidos. Pessoas como Trump desprezam quem não tem dinheiro, quem é diferente, quem professa outras religiões, pessoas como eu”, disparou Biden.

Num dos pontos mais controversos da noite, Trump se nega a condenar grupos de extrema direita. Fugindo da resposta, ele passa a citar manifestantes da esquerda, como os Antifas, a quem atribui a atual violência nos protestos.

Trump afirmou, por sua vez, que Biden chamou os negros de “superpredadores” quando estava no Senado. Em seguida, disse que é o candidato republicano com maior apoio da população negra e da polícia americana. E repetiu, diversas vezes, que é o candidato da “lei e da ordem”, slogan que relembra a campanha de Richard Nixon contra os protestos raciais que varreram os Estados Unidos em 1968. E afirmou que os democratas integram o que denomina como “esquerda radical”, responsável por atos de violência nas manifestações que vêm acontecendo nas principais cidades americanas ao longo do verão.

“Você traiu a comunidade afro-americana. Veja as pesquisas, eu estou muito mais bem cotado do que você nesse segmento da população”, disse Trump, ao ser acusado de enviar tropas federais para sufocar protestos pacíficos após assassinatos de negros por policiais brancos. “As pessoas querem e exigem lei e ordem. Você não diz isso para não perder sua base de extrema esquerda”. Biden, então, diz que “as maçãs podres têm de ser responsabilizadas” e que a polícia também reprova o uso excessivo da força.

Questionado se a violência era uma questão partidária, Trump afirmou que sim. Segundo o presidente, cidades governadas por democratas, como Nova York e Chicago, tem números piores de crimes.

Mudanças climáticas

Trump começou o bloco dizendo que “obviamente” quer água e ar limpos, mas que o Acordo de Paris, que previa redução nas emissões de gases do efeito estufa, iria “destruir a economia”.

Questionado sobre os incêndios catastróficos na Califórnia, Oregon e Washington, Trump voltou a descartar o papel das mudanças climáticas. E culpou governadores pelo que define como “péssimo manejo” das florestas. O presidente afirmou que os governadores democratas não fizeram a manutenção necessária, como o corte de árvores.

Biden, por sua vez, discorre detalhadamente sobre o tema. Ele propõe uma economia puxada por tecnologias verdes e fontes renováveis de energia. E cita os incêndios na Amazônia brasileira como exemplo de péssima preservação do meio ambiente. Ele prometeu recolocar os Estados Unidos no Acordo de Paris para o Clima e prometeu economizar bilhões se adotar uma política de contenção do aquecimento global.

Integridade das eleições

No último bloco do programa, Biden pediu que o eleitor saia de casa nas eleições, já que no país o voto não é obrigatório. “Votem, votem, votem. E tenham certeza de quem vai comandar este país nos próximos anos”, disse. “Ele não pode impedir você de votar. Se eu perder a eleição, aceito. Mas ele, não está certo se irá aceitar. É você quem tem o poder de controlar como seu país vai ser nos próximos quatro anos”, disse. 

Já Trump voltou a duvidar da integridade da votação por correio. Segundo ele, o sistema será marcado por fraudes. “Estamos encontrado cédulas jogadas em valas”, disse. Segundo o presidente, seus rivais democratas “tentam dar golpe” desde as eleições de 2016. “Eles tentaram dar um golpe, espionar minha campanha. Uma desgraça para nosso país. Até agora, está sendo um desastre essa votação por correspondência”, declarou.

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