O presidente Jair Bolsonaro responderá em seu discurso na terça-feira, 22, na 75ª Assembleia Geral das Nações Unidas, às críticas em relação à sua política ambiental, em especial na Amazônia, informou o vice-presidente, Hamilton Mourão, nesta segunda-feira, 21.

“[Bolsonaro] vai tocar na Amazônia, mostrar em princípio o que estamos fazendo”, disse Mourão, que chefia o Conselho Nacional da Amazônia Legal, acrescentando que o combate às atividades irregulares na floresta “não é simples”.

Por sua vez, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, acusou os promotores de campanhas de proteção da Amazônia de quererem “prejudicar o Brasil”.

“Não podemos admitir e incentivar que nações, entidades e personalidades estrangeiras sem passado que lhes dê autoridade moral para nos criticar tenham sucesso no seu objetivo principal, que é prejudicar o Brasil e derrubar o governo Bolsonaro”, afirmou Heleno.

Também é esperado, de acordo com discurso gravado na semana passada, que Bolsonaro defenda o combate à pandemia de Covid-19 desempenhado por sua gestão, alvo de intensas críticas no exterior. O governo brasileiro adotou medidas contrárias às recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como isolamento social e uso de máscara. A recente tendência de queda de infecções no país, no entanto, pode dar espaço para que o presidente argumente o contrário. O país soma mais de 4,5 milhões de casos, incluindo 135.000 mortes.

Como é tradição em todos os anos desde 1955, o presidente do Brasil abrirá os discursos das lideranças na Assembleia Geral, que, neste ano, se iniciará na terça-feira. Por conta da pandemia do novo coronavírus, o encontro será virtual e o discurso de Bolsonaro foi pré-gravado e enviado em vídeo.

Continua após a publicidade

A fala do vice-presidente indica que Bolsonaro assumiu em seu discurso à Assembleia Geral neste ano uma postura semelhante à sua estreia na reunião internacional, em 2019, quando ele negou o avanço dos incêndios florestais na Amazônia.

Cerca de quatro meses depois, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelou que o desmatamento responsável por grande parte das queimadas — aumentara em mais de 85% na Amazônia naquele ano.

Nesta terça, o vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, deixou claro que a União Europeia espera um “compromisso claro” do Mercosul de que o bloco irá respeitar a seção de “desenvolvimento sustentável” do acordo comercial negociado em 2019, e ainda não ratificado.

A relutância na ratificação do acordo se deve em parte à pressão de setores que seriam afetados pelo texto, como a agropecuária. No entanto, a gestão ambiental brasileira se tornou uma barreira para o avanço do acordo.

Devido às queimadas e o desmatamento da Floresta Amazônica em 2019, que desencadeou uma crise diplomática entre Brasil e França, e agora a devastação do Pantanal, o Brasil sofre com repetidos pedidos de boicote na sociedade europeia. Na sexta-feira 18, o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou que seu país irá se opor à ratificação.

Após receber relatório de um comitê de especialistas alertando para os riscos ambientais que a entrada em vigor desse acordo acarretaria, o governo francês apresentou três “exigências” para a continuidade das negociações, entre elas o respeito ao Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas.

(Com AFP)

Continua após a publicidade